quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vaia para a baia!

Paulo Werneck 

Há muito me incomodam as baias que os gênios da arquitetura urbana carioca inventaram para infernizar a vida dos habitantes desta ainda maravilhosa cidade. A idéia em si não é má, nem é nova: inúmeras cidades as possuem, com êxito, mas algumas condições prévias devem ser satisfeitas.

Por exemplo, em cidades em que os ônibus param obrigatoriamente em todos os pontos, elas são perfeitas: os passageiros esperam calmamente no abrigo até que o ônibus desejado pare à sua frente e aguarde seu embarque.

Não é isso o que acontece nestas plagas, como podemos ver na foto seguinte, tirada de dentro de um abrigo na rua Voluntários da Pátria, em um dia chuvoso:


O ônibus que se aproxima, na faixa da direita, está encoberto pelo muro amarelo da construção, pela folhagem de uma árvore, por um poste, pelos passantes.

O número da linha só será visível quando o veículo estiver a menos de oito metros do ponto. A 20 quilômetros por hora, o candidato a passageiro terá menos de dois segundos para identificar a linha e fazer sinal.


O resultado é o que se vê na segunda foto: pessoas na rua, inutilizando o conceito da baia, a qual só serve para reduzir a calçada e atrapalhar todo mundo.

Pior: alguns motoristas, conscienciosos, cumprem a lei e param na baia, mas, com isso, dificultam a vida dos demais passageiros do ponto.

Certamente os gênios do planejamento do transporte coletivo circulam em automóveis particulares...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Quem reboca a moto da polícia de trânsito?

Paulo Werneck
Exatamente ontem comentei sobre o estacionamento irregular de um caminhãorreboque. Hoje a vedete é uma singela motocicleta, também das forças da lei e da ordem, parada de maneira a atrapalhar da melhor maneira possível a travessia dos pedestres que usarem a faixa zebrada a isso destinada.


Fica a pergunta que não quer calar: quem reprime o comportamento irregular no trânsito das viarturas policiais? Choque de ordem nas forças policiais!

Veja também: Quem reboca o caminhãorreboque?

domingo, 18 de dezembro de 2011

Quem reboca o caminhãorreboque?

Paulo Werneck
Sábado à tarde, 17 de dezembro, dirigia-me mais uma vez para assistir a música de primeira linha - desta vez choro - na Livraria Arlequim, no Paço Imperial. É um programa que não recomendo, caso contrário meus milhares de leitores ocuparão todas as mesas e terei de reservar um lugar com um anoluz de antecedência...
Como sou um feliz não possuidor de veículo automotor, desci do ônibus em frente do Tribunal, na avenida Presidente Antônio Carlos e segui pela calçada os metros que faltavam, até ter de esperar um cadeirante passar espremido entre o caminhãorreboque da Prefeitura e o meiofio.

Quem desejar pode ampliar a fotografia, clicando nela, mas facilito o trabalho dos leitores: no caminhão está escrito "MANTENHA O REBOQUE VAZIO, ESTACIONE CORRETAMENTE".
Estaria o veículo estacionado corretamente?
Não. Apesar de estar em uma via pública, esse trecho foi separado do restante da rua por meio de barras de ferro, perfeitamente visíveis nas fotos, ou seja, o cuidadoso motorista passou por cima da calçada, com bastante perícia, para nada danificar.
Seria necessário tanto trabalho?
Também não, pois o centro da cidade, sábado à tarde, está entregue às moscas, locais para estacionar o guincho não faltavam.
Falei com guardas municipais de trânsito que estavam próximos. Sequer acreditaram que o caminhão tivesse subido na calçada, mesmo vendo a foto e estarem a uns 30 metros do local. Argumentaram que não havia outro lugar, apesar de a rua ao lado do Palácio estar praticamente vazia.
Fica a pergunta: quem pode dar "choque de ordem" na desordem dos choques de ordem da Prefeitura?
Observação: na segunda fotografia vê-se perfeitamente, na frente do caminhão, o trecho da calçada "inexistente" segundo os briosos guardas municipais.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Hora do Lanche

Paulo Werneck 
Estava em um vôo da Tam, "paixão por voar e servir", no início de um fim de semana que prometia - e cumpriu - ser excelente.
Início conturbado: resolver pendências; obter transporte para o aeroporto - táxis passando lotados; fazer o check-in; embarcar em cima da hora, estômago roncando, hora do almoço já vencendo - ainda cultivo esse hábito burguês das três refeições...
A bordo, revista "Tam nas Nuvens", jornal "Primeira Chamada", caramelos gentilmente distribuídos pela comissária. Bons ventos chegando.
Lendo a revista, fico sabendo que existe à venda no Brasil garrafas de uísque ao módico preço de dez mil reais.
Lendo o jornal, tomo ciência de que apenas três dos "Leading Hotels of the World" possuem restaurantes com três estrelas Michelin em suas instalações. Informação deprimente. Terei muito trabalho para planejar uma viagem de sonho nessas difíceis condições.
Começa o serviço de bordo. Não espero ser servido com uísque quinhentas estrelas, nem almoçar uma refeição gourmand, elaborada por um chef cordon-bleu: trata-se de um vôo doméstico de pouco mais de duas horas, se for descontada a meia hora em terra sem ar condicionado. Um bom sanduíche quente já estaria de bom tamanho.
Recebo então uma embalagem em cujo rótulo está escrito "Hora do lanche". Mas não é hora do almoço?


Não desesperemos! Posso ver perfeitamente o desenho de alguns cookies bastante apetecíveis, a embalagem é grande, deve conter muitos de,es, um sanduíche frio, talvez até mesmo um bombom! Há que esquecer o sanduíche quente, mas não é preciso perder a esperança...

Abramos e vejamos o que tem dentro. Tam tam tam tcham!


Que beleza! Um queijinho - 20g, quatro biscoitos salgados - 15g, meia fatia de bolo - 30g! Parecia estar na classe executiva rodoviária!
Além disso, senti-me ainda mais culpado. Não bastassem as emissões de CO2 das turbinas do avião, ainda foi produzido muito lixo plástico, para cada passageiro três embalagens individuais, uma bandeja e a embalagem exterior. Tudo para empacotar 65g de, digamos, alimento.
Ah, a revista mostrava diversas seleções musicais, até boas, mas os fones não embarcaram... Quantas voltas no caixão deve dar o saudoso comandante Rolim...

domingo, 9 de outubro de 2011

Brincadeiras de Crianças

Paulo Werneck
Sandra Guinle: Cenas Infantis 
Fonte: www.mac.usp.br

Hoje fui a uma festa infantil. Havia, como é comum hoje em dia, animadores para as crianças. Havia, como é extremamente raro, animadores respeitosos às crianças e, porque não dizer, aos adultos.

Em primeiro lugar, não usaram equipamento de som. As crianças ainda não são surdas e o morador do 23º andar não precisa ser obrigado a ouvir as músicas da festa. Além disso, os animadores, não usando microfones, ficaram mais próximos às crianças.

Em segundo lugar, estavam mais preocupados em brincar e fazer atividades com as crianças, algo muito distante da relação palco e platéia. Como objetos lúdicos usaram brinquedos artesanais, pequenos instrumentos musicais. Principalmente, não houve piadas de duplo sentido, nem qualquer grosseria, que estão ficando comuns. A gentileza foi a tônica da atividade.

Foi muito agradável observá-los trabalhar, interagindo com as crianças, e não ouvir nenhuma gritaria nem som alto. Os adultos também puderam conversar animadamente, num saudável convívio.

Finalmente, resta prestigiar a equipe, divulgando nomes e formas de contato. Trata-se da Pingos de Cor, Festas Infantils, de André Gilson e Rennata Feitosa. Telefone 21-8145-0289, e-mail pingosdecor@hotmail.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Apresentações extras de Dido e Enéias

Paulo Werneck 
Assisti Dido e Enéias sexta-feira. Espetáculo com recur$o$ limitados, mas resultado mais que prazeroso. Lotado. A estréia também lotou. Haverá duas sessões extras, uma sábado e outra domingo. Os horários ficam sendo, no sábado, 19:30 e 21:00; no domingo, 17:00 e 18:30. Muita generosidade do elenco, tendo em vista que o intervalo para "descanso" será minimo e só receberão, pelo esforço extra, merecidas palmas. Sugiro chegar com antecedência pois as senhas de entrada evaporam.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ópera Barroca

Paulo Werneck

Este escriba tem suas preferências e delas não abre mão. Uma delas é a exímia flautista Laura Rónai, professora doutora, de muitos e variados talentos, quem irá dirigir a orquestra barroca da Unirio na apresentação da ópera Dido e Enéas, composta por Henry Purcell.

Acreditando no repto diga-me com quem andas, dir-te-ei quem és, só posso imaginar que os demais alunos e professores que apresentarão o espetáculo nada deixarão a desejar. Os incrédulos com esta rasgação de seda poderão ampliar a imagem acima, ler os nomes ali inscritos e só lhes restará me dar razão...

Para os apressados, ou com computadores e acessos lentos, informo que serão quatro apresentações, de 6 a 9 de outubro, uma por dia, às 19:30, exceto no domingo, quando será mais cedo, às 17:00, sempre no Teatro Paschoal Carlos Magno, Avenida Pasteur 436 fundos, Urca, Rio de Janeiro, RJ. A entrada é gratuita.

Encontrar-nos-emos lá.

domingo, 7 de agosto de 2011

Viajar de Trem

Paulo Werneck
Trem de passageiros da RFFSA estacionado em Cruzeiro
Fonte: http://cfvv.blogspot.com
A questão do trem bala está posta na mesa, mesmo pouco discutida, mas enquanto a sociedade se omite, o projeto avança, um belo dia pode ser implementado e então só restará sorrir ou chorar, conforme o gosto do freguês.
Neste momento estou contra, mas gente que respeito muito, como Miguel do Rosário, está a favor: veja Discutindo o trem-bala  no seu blog Óleo do Diabo.
Meu ponto, meio prosaico, é simples: saudade do trem noturno que ligava Rio e São Paulo (veja depoimentos em Do Fundo do Baú - Trem Noturno Rio-São Paulo).
A viagem era ótima, mas não se sabia o horário de chegada, podia ser cedo ou tarde, dependia de uma série de fatores, eis que a má conservação da linha, a sua não duplicação, o compartilhamento com trens de carga, etc, tudo influía.
Além disso as passagens, pelo menos nos fins de semana, tinham que ser compradas com antecência e exclusivamente na gare, enquanto as outras vias, aérea e rodoviária, as vendiam por diversos meios.
O trem era meio caído, mal conservado, mas mesmo assim muito romântico e confortável. Quando ainda haviam poltronas, eram imensas, nada a ver com os assentos dos ônibus, mesmo os ditos leito, menos ainda com as latas de sardinha voadoras, apelidadas de aviões.
As viagens foram encerradas e depois voltaram sob administração privada, que resolveu as vender num "pacote de sonho", jantar incluso: stroganoff! Ridículo. Noção completamente bizarra e desvairada do que venha a ser elegância. Não admira o fracasso da empreitada.
Roteiro do trem noturno, do verso da passagem
Fonte: fotolog.terra.com.br/outromundo:815%29
Basta ser feito o básico: manutenção correta da linha e das composições, o que permitiria aos trens trafegarem na velocidade máxima e garantiria conforto aos passageiros.
A distancia total, conforme vemos no mapa, é de apenas 474 km, o que exige menos de 120 km/h de velocidade para ser percorrida em quatro horas, e menos de 100 km/h para ser atingida em cinco, o que não deve ser difícil, sem engarrafamentos, sem sinal, sem paradas para lanche.
A certeza da chegada no horário, sem depender de teto (preocupação de quem vôa), a localização central das estações, eliminando engarrafamentos, e a duração da viagem adequada, podendo-se almoçar, lanchar, trabalhar, dormir, atrairia a preferência dos passageiros, sem o investimento requerido pelo trem bala.
Esses recursos poderiam ser aproveitados na expansão da rede ferroviária de passageiros, de modo a ligar pelo menos todas as capitais.
Em havendo escolha, trem bala em duas horas ou trem "popular" em cinco, preferirei o menos rápido, para apreciar a viagem e descansar. Talvez esteja ficando velho...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ler Comer Ouvir

Paulo Werneck
Martin (bandoneón) & Josué (piano)
Meu programa de sábado costuma ser, quando posso, assistir um show de música - tango, jazz, choro - na Livraria Arlequim, entre livros, após degustar algo, certamente bebendo uma cervejinha ou um vinho.
O tango, meu preferido, costuma rolar no primeiro sábado de cada mes, algumas músicas comparecendo quase sempre, outras variando o repertório. Adiós Nonino, El dia que me quieras, Libertango são figuras marcadas, mas Cambalache, sempre atual, também já nos recordou os desatinos da moderna sociedade.
A livraria faz jus ao dístíco grafado em letras garrafais na parede sobre o bar: LER COMER OUVIR LER COMER... 
Não só da venda de livros,CDs e DVDs, de um bar com serviço às vezes atrapalhado, mas sempre atencioso, nem de um show íntimo e agradável, que a livraria, já extensão do meu lar, é feita. Nela há sentimento, há respeito.
Na última vez que lá estive, em companhia de S., adentrou o recinto uma menina desgrenhada, menos de dez anos, vendendo chicletes. Não se comportou bem, nem o saberia fazer, não era da alta, e mesmo os abonados podem deixar muito a desejar. Não foi retirada aos safanões por um segurança brutamontes. Longe disso. Para cuidar do caso materializou-se um funcionário, dos mais jovens, que procurou contornar o problema, tentando evitar que a menina se comportasse de modo realmente prejudicial, mas tolerando, com infinita paciência, as pequenas, digamos, disfuncionalidades do comportamento dela.
O problema foi enfim resolvido quando alguém adquiriu todo o estoque de chicletes - seis - com o que a menina, sem ter o que fazer, apesar de ter sido convidada a ouvir o show, retirou-se de moto próprio, passando antes pelo caixa, onde trocou moedas e notas pequenas por outras de maior valor.
Ainda há civilidade neste planeta. 
Eu gostava da Arlequim, agora a respeito muito mais.

domingo, 13 de março de 2011

Lope

Paulo Werneck
Lope escrevendo, foto de Teresa Isasi
Fonte: saraivaconteudo.com.br
Sou um cinéfilo talvez muito medíocre enquanto cinéfilo. Amo, gosto, detesto os filmes, mas quase nunca me importo em saber quem os dirigiu ou interpretou.
Entretanto vejo a história, me alegro, enterneço, irrito, às vezes aprendo algo. Nunca como pipoca, odeio barulhos e interrupções. Para mim deveria haver só o filme, como uma realidade totalizadora, o mundo virtual tornando-se real e o mundo real, o da platéia, praticamente desaparecendo durante a exibição do filme.
Entretanto, graças à gentileza do Instituto Cervantes e do diretor Andrucha Waddington, assisti a palestra do mesmo sobre o filme Lope, na ocasião ainda não lançado no Brasil, com exibição do making-off.
Palestra emocionante, o diretor explicando algo do processo e tirando, com a maior paciência, as dúvidas da platéia. Relatou as dificuldades de locação (locais onde encenar), o que os obrigou a ir até o Marrocos, fornecedor também, a preços mais em conta, dos adereços de época - pratos, jarras, etc.
Outro ponto interessante é que a trilha sonora foi gravada ao vivo por uma orquestra: com o filme já montado, a orquestra tocou a trilha sonora inteira já sincronizada com o filme. Ou pelo menos foi isso que entendi da palestra do Waddington.
Infelizmente perdi a estréia, mas na primeira ocasião que tive assisti ao filme, que em nada deixou a desejar. Muitíssimo bom. Chega a ser engraçada a avaliação média - 6,3 - dos "críticos" do sítio "The Internet Movie Database". Parece que essa opinião não foi compatilhada pelo povo espanhol, que deu ao filme a terceira maior bilheteria de 2010...
O filme retrata um trecho da vida do poeta Lope de Vega (1562-1635) no início de sua vida adulta, desde o retorno da batalha da Ilha Terceira (havia se alistado na marinha) até seu desterro em 1588, mostrando desde cenas amorosas até de capa e espada. Lope era realmente uma figura, digamos, difícil para os padrões da época e ainda o seria hoje...
Depois, após pequena pesquisa, fiquei sabendo que Andrucha já havia dirigido o sutil e primoroso "Eu, Tu, Eles", um dos melhores filmes que já assisti.